Doce Acaso!
Mas uma canção é tão pouco, nem cabe tudo que eu quero falar...

“Meu único planejamento é não planejar. Porque o momento em que eu sei exatamente o que fazer ou onde ir é o mesmo momento em que tento fazer o oposto. Talvez eu apenas goste de contrariar e
negar o que dizem ser certo. Talvez seja coisa de menina mimada que não aceita ordens e rótulos.”
(Verônica Heiss)

❝ Queria morar num bosque. Longe de tudo e de todos. Ter a minha própria criação de carneiros e galinhas, para matar um todo o final de semana, e passar o resto da semana comendo bem. Ter a minha horta no fundo da minha humilde casa, que inclusive seria feita de troncos de árvores que eu mesmo iria cortar. Eu ia fazer a minha casa, em um lugar que lavasse chuva, pois eu ia querer ela toda cheia de lodo. Toda verde, bem bonita. Final de semana, daria uma passada no centro da cidade pra comprar revistas de carpintaria, culinária e uns suprimentos. É, eu ia virar um carpinteiro de mão cheia… Eu próprio iria fazer as mesas e cadeiras da minha casa. Acho que o meu passa-tempo seria escrever… Eu escreveria muito sobre lendas, como duendes, espíritos ou até mesmo lobisomens. Pela noite, acenderia o meu lampião, pegaria o meu machado e espingarda e sairia pra caçar… Não pra caçar animais, mas sim fantasias. Andar por todo o bosque, pensando, olhando, imaginando, criando história em minha cabeça, pra quando eu voltasse para minha casa, eu por tudo numa folha, e imaginar muito mais. E assim, viver cada dia aproveitando tudo dessa tal minha vidinha fútil, cheia de fantasias, que eu próprio imaginei.

❝ Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café às cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos.

Caio Fernando Abreu.